Sunday, May 17, 2009

Aqueles Dias

Chovia
e ela esquecera o guarda-chuva. Num outro dia qualquer ela teria barafustado, resmungado, talvez mesmo amaldiçoado um outro deus só para descarregar a emoção. Mas era um daqueles dias em que a chuva é bem vinda, porque se fizesse sol seria inútil e inapropriado.
Chovia
e, à sua volta, a multidão zumbia apressada, procurando refúgio. Ela caminhava serena, por ruas cinzentas, por entre gente cinzenta, num daqueles dias cinzentos. Dentro, um tornado de emoções, dúvidas e dilemas devastava-a e esgotava-a; tudo despoletado por um bater de asas que era um sorriso, um gesto, um aroma.
Chovia
mas ela estava perdida no seu mundo, no seu caos, nas suas fantasias e ilusões.
Chovia
e dentro dela chovia também.
Chovia. Era mais um daqueles dias.

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